O Tarot e os ciclos, irru

Como entender o que você está vivendo?

Olá, querido(a) Neófito, tudo bem com você?

Tem uma pergunta que aparece com frequência nas consultas e que raramente é feita de forma direta. A pessoa chega com uma situação específica, amor, trabalho, decisão, mas por baixo de tudo existe uma pergunta maior que ela ainda não conseguiu formular: o que está acontecendo comigo?

Não com a situação, com a pessoa em sí.

Essa pergunta é mais difícil de responder porque exige um tipo diferente de olhar. Não para o que está acontecendo fora, mas para o ciclo que está em andamento por dentro. E é exatamente aqui que os Arcanos Maiores entram de um jeito que pouquíssimas pessoas ensinam.

Hoje não vamos fazer uma tiragem. Vamos usar os Arcanos Maiores como mapa de auto-observação. Você vai identificar em qual fase do ciclo está agora, não pelo que as cartas dizem, mas pelo que a sua vida está dizendo.

Os Arcanos Maiores e os ciclos.

Carl Jung, em Psychology and Alchemy (1944), documentou algo que os hermetistas medievais já sabiam: a psique humana se move em padrões arquetípicos. Não linearmente, não aleatoriamente, mas em ciclos que têm fases reconhecíveis, cada uma com sua qualidade específica, suas exigências específicas e sua duração própria.

Os Arcanos Maiores são uma codificação visual desses padrões. Cada carta não é apenas um símbolo isolado, é a descrição de um estado de campo, de um momento específico dentro de um ciclo maior de transformação.

Isso significa que você não precisa abrir o baralho para usar esse conhecimento. Você pode olhar para o que está vivendo agora e reconhecer qual arcano descreve esse momento com mais precisão. E quando você nomeia a fase, você muda a sua relação com ela. O que parecia caos começa a ter estrutura. O que parecia fracasso começa a ter função.

Rachel Pollack, em Seventy-Eight Degrees of Wisdom (1980), descreve os Arcanos Maiores como uma jornada de individuação, o caminho da consciência se tornando mais inteira ao longo do tempo. Não é uma jornada linear com começo e fim fixos. É um ciclo que se repete em espiral, cada volta trazendo a mesma fase com uma profundidade diferente.

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A auto-observação

Antes de ler as descrições das fases, responda mentalmente a três perguntas simples sobre o momento atual da sua vida.

  1. O que está terminando ou mudando sem que eu tenha pedido?

  2. O que está parado mesmo que eu queira que avance?

  3. E o que está me exigindo algo que ainda não sei se tenho?

As respostas para estas perguntas vão orientar o reconhecimento da fase.

E como reconhecer isso na vida real?

Você está em Início se sente o impulso de começar algo sem saber exatamente o quê ou como. Há energia disponível mas sem forma ainda. A vida desperta tem uma qualidade de ponto zero, de campo aberto que ainda não foi preenchido. Pode ser depois de um encerramento recente, pode ser um chamado que chegou sem aviso. As cartas que descrevem esse estado são o Louco e o Mago.

Exemplo real: você saiu de um emprego, de um relacionamento ou de um ciclo longo e sente que algo novo está querendo começar, mas cada vez que tenta definir o quê, a forma escorrega. Isso não é indecisão. É o Louco operando, o campo em estado de potencial puro antes de se canalizar.

Você está em Pausa se sente que nada está avançando por mais que você se mova. Há uma resistência do campo que não é bloqueio externo, é como se o processo interno precisasse de silêncio para se completar. Você tem a sensação de que deveria estar fazendo mais mas ao mesmo tempo sente que forçar não vai funcionar. As cartas que descrevem esse estado são a Sacerdotisa, o Eremita e o Enforcado.

Exemplo real: você está num período em que as respostas não chegam, as decisões não ficam claras, e qualquer ação tomada parece não se consolidar. Não porque o campo está bloqueado, mas porque algo está sendo formado internamente que ainda não está pronto para aparecer fora. O Eremita não está parado porque desistiu. Está parado porque escolheu ver antes de agir.

Você está em Autoridade e Estrutura se está sendo chamado a organizar, sustentar ou estabelecer algo. O campo está exigindo que você ocupe um papel de responsabilidade, seja em relação a outras pessoas, a um projeto ou à própria vida. Pode vir acompanhado de tensão porque autoridade real exige clareza sobre o que você sustenta e por quê. As cartas que descrevem esse estado são o Imperador e o Hierofante.

Você está em Movimento Ativo se sente que as coisas estão andando mas que exigem presença constante para se manterem em curso. Há energia, há progresso, mas parar de prestar atenção significa perder o fio. Pode ser extenuante exatamente porque o ciclo está em marcha. As cartas que descrevem esse estado são o Carro e a Roda da Fortuna, sendo que a Roda traz um movimento que vem do campo independente da vontade, enquanto o Carro traz o movimento que depende do controle ativo.

Você está em Escolha e Equilíbrio se está diante de uma bifurcação real ou de um desequilíbrio que precisa ser corrigido antes que qualquer coisa avance. Não é uma escolha pequena. É uma escolha que define o ciclo seguinte, e por isso o campo resiste a ser forçado. As cartas que descrevem esse estado são os Enamorados, a Justiça e a Temperança.

Exemplo real: você sabe que precisa tomar uma decisão mas cada vez que tenta, os dois lados parecem igualmente válidos e igualmente assustadores. Isso não é fraqueza ou confusão. É os Enamorados operando, o campo segurando o avanço até que a escolha seja feita de verdade, com consciência do que será honrado e do que será abandonado.

Você está em Ruptura se algo que parecia sólido está desmoronando sem que você tenha pedido. Uma estrutura, uma crença, um relacionamento, uma identidade. A Torre não avisa e não pede permissão. O que cai é o que havia se tornado rígido demais para se transformar voluntariamente.

Exemplo real: de repente o que funcionava parou de funcionar. O que parecia certo passou a parecer errado. A vida que você construiu não cabe mais no tamanho em que você cresceu. Isso é a Torre. Não como punição, mas como o campo removendo o que impedia o próximo ciclo de começar.

Você está em Katabasis se sente que está descendo para algum lugar dentro de si que preferia não visitar. Padrões que se repetem, vícios, apegos que você sabe que deveriam ser soltados mas que ainda prendem. Há algo no inconsciente operando que tem mais força do que a vontade consciente. A carta que descreve esse estado é o Diabo.

James Hillman, em The Dream and the Underworld (1979), descreve a descida ao inconsciente não como fracasso mas como necessidade psíquica. O que não foi olhado de frente continua operando por baixo. A Katabasis é o convite para olhar.

Você está em Ascensão se sente um processo de integração acontecendo, como se as névoas estivessem se dissipando e a clareza estivesse aumentando. Pode ser gradual como a Lua, que traz formas ainda imprecisas, ou mais completo como o Sol, quando o que estava oculto finalmente fica visível. As cartas que descrevem esse estado são a Lua e o Sol como polos de um mesmo processo.

Você está em Força Espiritual e Vital se sente uma qualidade de presença e de fluxo que não vem do esforço. O campo está respondendo sem que você precise forçar. Pode ser a abundância que floresce naturalmente como a Imperatriz, o espírito que conduz o impulso sem violência como a Força, ou a restauração silenciosa depois de um colapso como a Estrela.

Você está em Transição se sente que um ciclo chegou ao ponto de encerramento e que algo novo está emergindo, mas os dois estados ainda estão presentes ao mesmo tempo. Há uma qualidade de fronteira, de estar entre o que foi e o que vai ser. As cartas que descrevem esse estado são o Julgamento e a Morte.

Você está em Conclusão se sente que um ciclo inteiro foi percorrido e que chegou ao seu ponto de completude. Pode vir com satisfação, com alívio ou com a estranha melancolia de quem terminou algo importante. A carta que descreve esse estado é O Mundo, e o que ela traz junto é sempre a pergunta sobre o que começa a seguir.

E o que fazer?

Nomear a fase não resolve o ciclo, mas muda profundamente a relação que você tem com ele.

Quando você está na Torre sem saber que está na Torre, o colapso parece fracasso pessoal. Quando você nomeia, passa a ser o que é: uma fase com função precisa dentro de um processo maior. Quando você está no Enforcado sem saber, a pausa parece estagnação. Quando você nomeia, passa a ser o que é: suspensão necessária que não pode ser forçada sem custo.

Paul Foster Case, em The Tarot: A Key to the Wisdom of the Ages (1947), escreve que o maior valor dos Arcanos Maiores não está na predição do futuro mas na compreensão do presente. Saber onde você está é o primeiro passo para atravessar com consciência o que precisa ser atravessado.

Da próxima vez que você sentir que algo não está fazendo sentido na sua vida, antes de abrir o baralho, olhe para as fases e pergunte: qual dessas descreve o que estou vivendo agora?

A resposta já está na sua vida. O Tarot só te dá a linguagem para nomeá-la.

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Espero que essa reflexão inspire você a transformar sua prática mágica e espiritual. Não importa o objetivo — seja desenvolver mediunidade, atrair prosperidade ou encontrar o amor —, um plano bem estruturado pode fazer toda a diferença.

Que sua jornada seja repleta de evolução e realizações.

O Neófito