Inventando tiragens?

Menos fórmula, mais escuta e simbolismo.

Olá, querido(a) Neófito, tudo bem com você?

Hoje quero conversar sobre um tema que pode mudar completamente a sua forma de se relacionar com o Tarot: a liberdade de criar as suas próprias tiragens.

Muitos estudantes iniciantes ficam presos à ideia de que só existem alguns modelos “oficiais” — a Cruz Celta, a Tiragem de Péladan, o jogo de Três Cartas… e acabam acreditando que, se não souberem aplicar esses métodos, não conseguirão fazer boas leituras.

Mas a verdade é outra.

O Tarot não é um livro de receitas fixas. Ele é um sistema vivo de símbolos, e justamente por isso se adapta às perguntas, às situações e à sensibilidade do tarólogo. As tiragens clássicas têm seu valor histórico, mas elas não são uma prisão. Pelo contrário: servem como inspiração para que você, com o tempo, desenvolva tiragens personalizadas que respondam com mais clareza às questões reais que surgem no dia a dia.

Hoje quero te mostrar como essa liberdade funciona na prática. Vamos falar sobre como montar uma tiragem personalizada, usar um exemplo concreto em uma questão amorosa e refletir sobre o poder criativo que isso traz para a sua jornada.

O Tarot como diálogo, não como fórmula

Antes de irmos para os exemplos, precisamos fixar uma ideia: o Tarot não é um questionário de “sim ou não”. Ele é um diálogo.

Quando você abre as cartas, não está preenchendo um formulário burocrático. Você está conversando com um espelho simbólico que responde ao seu inconsciente, às forças espirituais e ao arquétipo da situação.

É por isso que as tiragens fixas nem sempre funcionam para todas as perguntas. Às vezes, o consulente não quer uma análise profunda de dez posições. Ele só quer saber o que o outro está escondendo. Outras vezes, não adianta abrir uma tiragem de três cartas, porque a situação pede mais nuances.

Aqui entra a liberdade criativa: adaptar o formato ao que realmente precisa ser respondido.

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Como criar uma tiragem personalizada

O processo é simples e intuitivo. Basta seguir três passos:

  1. Clarifique a pergunta.
    O que o consulente realmente quer saber? Por trás de “Ele vai voltar?” pode estar a questão “Ele ainda sente algo por mim?” ou “Vale a pena esperar por ele?”.

  2. Defina os aspectos que precisam ser analisados.
    Para a pergunta “Ele tem segredos?”, por exemplo, você pode precisar de cartas que mostrem: a situação da relação, os sentimentos dele, o que está oculto e o provável desfecho.

  3. Atribua uma carta para cada aspecto.
    Você não precisa usar dez posições. Às vezes quatro já são suficientes. O importante é que cada carta tenha uma função clara no enredo da leitura.

Exemplo prático: investigando segredos em uma relação

Imagine que uma consulente pergunta:
“Será que meu parceiro está escondendo algo de mim?”

Uma tiragem clássica poderia responder, sim. Mas vamos montar uma tiragem personalizada com quatro cartas:

  • Carta 1 → Situação da relação

  • Carta 2 → Sentimentos dele

  • Carta 3 → O que ele esconde

  • Carta 4 → Resultado ou consequência

Veja como isso funciona na prática.

As cartas que saem:

  1. 2 de Copas

  2. 3 de Espadas

  3. O Sol

  4. A Temperança

Interpretação:

👉 Situação da relação (2 de Copas): há uma conexão verdadeira, um encontro afetivo real. A consulente não está imaginando coisas: existe amor e reciprocidade.

👉 Sentimentos dele (3 de Espadas): apesar do amor, ele carrega dor ou mágoa. Pode ser que tenha sofrido no passado, ou que haja conflitos internos não resolvidos.

👉 O que ele esconde (O Sol): curioso, não é? O Sol é uma carta de clareza e revelação. Aqui, o que ele esconde é, paradoxalmente, a verdade que precisa vir à tona. Ele pode estar evitando falar de algo por medo da reação, mas não há mentira profunda — apenas a necessidade de abrir o coração.

👉 Resultado (Temperança): a relação pode ser harmonizada. A Temperança mostra paciência, diálogo e cura gradual. Não será um rompimento imediato, mas um processo de ajuste.

Outro exemplo: quando o desfecho é sombrio

Agora, imagine a mesma pergunta, mas com cartas diferentes.

  • Carta 1 → 2 de Copas

  • Carta 2 → 3 de Espadas

  • Carta 3 → O Diabo

  • Carta 4 → A Torre

👉 Situação da relação (2 de Copas): novamente, o amor existe.

👉 Sentimentos dele (3 de Espadas): há dor e conflito, como antes.

👉 O que ele esconde (O Diabo): aqui, a energia muda totalmente. O que está oculto não é apenas uma verdade dolorosa, mas um padrão tóxico: pode ser manipulação, desejo descontrolado, dependência ou até uma traição mantida em segredo.

👉 Resultado (A Torre): a estrutura não se sustenta. Mais cedo ou mais tarde, a verdade virá à tona de forma abrupta, trazendo ruptura e libertação.

Veja como a escolha das cartas muda o tom. A estrutura da tiragem é a mesma, mas o enredo se transforma conforme o símbolo revelado.

A beleza da criação livre

O ponto é: você não precisa de uma tiragem de dez cartas para chegar a conclusões significativas. Com quatro cartas bem posicionadas, já é possível contar uma história completa.

Essa liberdade é o que torna o Tarot tão vivo. Ele não é uma máquina de respostas automáticas, mas uma linguagem simbólica que se adapta à pergunta e ao contexto.

Quando você cria suas próprias tiragens, está dizendo ao oráculo: “Eu confio no diálogo. Eu quero clareza para este caso específico.” E o Tarot responde.

Exercício prático para você

Pegue o seu baralho e faça o seguinte:

  1. Escolha uma pergunta real ou simbólica (pode ser amorosa, profissional ou espiritual).

  2. Pense: que aspectos eu preciso analisar para responder a essa pergunta?

  3. Monte uma tiragem curta (3 a 5 cartas) com posições claras.

  4. Interprete, observando como as cartas dialogam entre si.

Depois, compare sua tiragem com um modelo clássico (como a Cruz Celta). Veja como a leitura personalizada às vezes traz respostas mais diretas e adaptadas.

Reflexão final

O Tarot é, acima de tudo, um espelho. Ele não foi feito para limitar, mas para expandir a consciência.

As tiragens clássicas são preciosas porque carregam a sabedoria de séculos de tradição. Mas não esqueça: elas são modelos, não prisões.

A verdadeira maestria no Tarot vem quando você percebe que pode dialogar com as cartas de forma criativa. Que pode adaptar o jogo à pergunta. Que pode confiar na sua intuição para construir pontes simbólicas.

No fim, o que importa não é a quantidade de cartas, mas a clareza do enredo que surge.

Então, da próxima vez que abrir o Tarot, pergunte-se:

👉 “Qual tiragem vai me dar a história mais clara para esta situação?”

E lembre-se: cada tiragem é uma ferramenta criativa. O Tarot é um diálogo, não uma fórmula pronta.

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Espero que essa reflexão inspire você a transformar sua prática mágica e espiritual. Não importa o objetivo — seja desenvolver mediunidade, atrair prosperidade ou encontrar o amor —, um plano bem estruturado pode fazer toda a diferença.

Que sua jornada seja repleta de evolução e realizações.

O Neófito