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Hermetismo e Tarot
Como entender as 7 leis herméticas nas cartas
Olá, querido(a) Neófito, tudo bem com você?
Bom, hoje eu quero te contar sobre algo que mudou completamente a forma como eu leio o Tarot, e que eu acho que vai mudar a sua também.
Se você já estuda as cartas há algum tempo, provavelmente já percebeu que elas falam de algo maior do que a situação específica que você está lendo. Tipo, você vira uma tiragem sobre trabalho e de repente está vendo um padrão que se repete há anos na vida da pessoa. Ou você lê sobre um relacionamento e as cartas revelam algo sobre a forma como aquela pessoa se relaciona com o mundo inteiro, não só com aquela situação específica.
Isso não é acidente. O Tarot foi desenvolvido dentro de uma tradição filosófica muito precisa chamada Hermetismo, e essa tradição tem como base sete princípios que descrevem como o universo funciona de verdade. Quando você entende esses princípios, você entende por que o Tarot consegue fazer o que faz.
O Hermetismo tem origem no Corpus Hermeticum, uma coleção de textos atribuídos a Hermes Trismegisto compilados entre os séculos I e III d.C. Os sete princípios foram sistematizados de forma mais acessível em O Kybalion, publicado em 1908 por três iniciados anônimos. É um livro que eu recomendo muito pra quem quer aprofundar nesse território.
Vamos a cada um.
O Princípio do Mentalismo
Esse aqui é o primeiro e o mais fundamental de todos, e também o que mais confunde as pessoas no começo então deixa eu explicar com calma.
O princípio diz que tudo que existe é uma manifestação da mente universal. Não estou dizendo que o mundo é imaginação e não é real, tá? Estou dizendo que a consciência é a substância primordial da qual tudo emerge. O plano físico é real, mas ele é uma manifestação de algo que existe antes dele.
Para o Tarot isso explica muita coisa. Se tudo é manifestação de uma mente universal e o Tarot é um sistema de símbolos que fala a linguagem do inconsciente, então o que emerge numa tiragem não é aleatório. É o campo mental, tanto individual quanto coletivo, se tornando legível por meio dos símbolos.
A carta que carrega esse princípio com mais precisão é o Mago. Ele está de pé com uma mão apontando pro céu e outra pra terra, que é exatamente a fórmula hermética central do "como em cima, assim embaixo". Sobre a mesa dele estão os quatro instrumentos que correspondem aos quatro naipes. O Mago não cria do nada. Ele canaliza o que existe no plano da mente para o plano da matéria.
Quando o Mago aparece numa leitura, o campo está dizendo que a qualidade da intenção determina a qualidade do que vai se manifestar. Simples assim.
O Princípio da Correspondência
Esse é provavelmente o mais famoso dos sete princípios, e com razão. Ele diz que existe uma correspondência entre os diferentes planos da realidade, o plano mental, o plano astral e o plano físico, e que o que acontece em um reflete o que acontece nos outros.
É o princípio que justifica a astrologia, a magia e o Tarot ao mesmo tempo. Se existe correspondência entre os planos, então os movimentos dos planetas no céu se correspondem com padrões na vida humana. E os símbolos de um baralho se correspondem com estruturas do inconsciente e com forças que operam no campo espiritual.
A carta que carrega esse princípio é a Roda da Fortuna. Ela mostra os mesmos padrões se repetindo em escalas diferentes, as figuras que sobem e descem seguindo uma lógica que transcende o episódio individual. O que está acontecendo na sua vida pessoal agora reflete algo que está acontecendo num plano maior, e vice-versa.
Quando a Roda aparece, o campo está dizendo que o que está acontecendo não é isolado. Faz parte de um padrão maior que você provavelmente já viveu em outras formas antes.
Se você quer explorar como esses princípios estão operando no seu campo agora, posso fazer uma leitura com você. Me chama no WhatsApp: wa.me/5561999720266
O Princípio da Vibração
Tudo no universo está em movimento, em vibração constante. A diferença entre uma pedra e um pensamento não é de substância, é de frequência de vibração. O que parece sólido e imóvel está vibrando numa frequência tão baixa que parece estático, mas está em movimento.
Pra mim esse princípio explica uma coisa que confunde muito estudante de Tarot, que é o fato de que o mesmo arcano pode ter qualidades tão diferentes dependendo do contexto. O 3 de Ouros numa tiragem sobre trabalho vibra diferente do 3 de Ouros numa tiragem sobre relacionamento. A carta é a mesma, mas a frequência do campo em que ela está inserida muda o que ela está expressando.
A carta que carrega esse princípio é a Torre. Não representa destruição aleatória. Representa uma estrutura que ficou tão rígida que parou de vibrar, que perdeu a capacidade de se adaptar ao movimento natural de tudo que existe. Quando algo para de se mover, de se transformar, a força que vem restabelecer o movimento não é punição. É lei.
Quando a Torre aparece, o campo está dizendo que uma estrutura perdeu a capacidade de vibrar com o que está ao redor dela. E que o movimento vai ser restaurado de uma forma ou de outra.
O Princípio da Polaridade
Tudo tem dois polos e os opostos são idênticos em natureza mas diferentes em grau. O calor e o frio não são substâncias diferentes, são graus diferentes da mesma coisa. O amor e o ódio não são opostos absolutos, são diferentes graus da mesma força, a força do vínculo.
Esse princípio é um dos mais úteis na leitura do Tarot na prática porque explica por que cada carta tem um aspecto luz e um aspecto sombra, e por que esses aspectos não são opostos mas a mesma força em graus diferentes da escala. O 9 de Espadas como angústia paralisante e o Ás de Espadas como clareza libertadora são o mesmo princípio da mente cortante em graus opostos.
A carta que carrega esse princípio com mais precisão é a Justiça. Ela não está julgando entre bem e mal absolutos. Ela está calibrando, buscando o ponto de equilíbrio entre dois polos que fazem parte da mesma realidade. A espada na mão da Justiça corta não pra eliminar um dos lados, mas pra encontrar o ponto exato onde os dois se equilibram.
O Princípio do Ritmo
Tudo tem um ritmo, uma oscilação, um movimento pendular entre dois polos. O que avança também recua. O que cresce também decresce. Não como falha, mas como lei natural de tudo que existe.
Pra quem lê Tarot isso explica os ciclos que aparecem nas tiragens ao longo do tempo. A mesma área da vida que estava em expansão num período vai entrar em contração em outro. Não porque algo deu errado, mas porque o ritmo é a natureza de tudo. Saber disso muda muito a forma como você lê uma tiragem que mostra contração, porque você para de interpretar como problema e começa a ver como fase de um ciclo maior.
A carta que carrega esse princípio é a Lua. Ela é o arcano do ritmo por excelência, o símbolo do ciclo que se repete com consistência mas nunca retorna exatamente ao mesmo ponto. Quando a Lua aparece numa leitura, o campo está dizendo que a situação tem um ritmo próprio que não pode ser forçado.
O Princípio do Gênero
Esse princípio diz que tudo tem um princípio masculino e um princípio feminino, e que a criação só acontece quando os dois estão presentes e em relação. Não no sentido biológico (não estamos falando de fluidez de gênero nem sexo, ok? é algo espiritual de receptividade e ação), mas no sentido de que toda manifestação requer tanto o princípio ativo quanto o receptivo operando juntos.
No Tarot esse princípio aparece na estrutura inteira do baralho. Os quatro Reis são o princípio masculino, ativo, de cada elemento. As quatro Rainhas são o princípio feminino, receptivo, de cada elemento. E os Arcanos Maiores frequentemente mostram a tensão e a integração entre esses dois princípios como motor da transformação.
A carta que carrega esse princípio com mais força são os Enamorados. Não porque fala de amor romântico, mas porque representa exatamente a necessidade de integração entre dois princípios que se atraem e que precisam entrar em relação pra que algo novo possa nascer. A figura central dos Enamorados não está escolhendo entre duas pessoas. Está escolhendo como vai integrar dois aspectos de si mesmo.
O Princípio de Causa e Efeito
E chegamos no sétimo, que é o mais diretamente operativo pra leitura de Tarot na minha experiência.
Ele diz que nada acontece por acaso. Que todo efeito tem uma causa e toda causa produz um efeito. Não no sentido determinista de que não há escolha, mas no sentido de que o campo é um sistema de relações onde cada movimento produz consequências que se propagam através do tempo.
Cada tiragem é a leitura de um campo de causas e efeitos em andamento. As cartas mostram o que está sendo causado agora e o que tende a se manifestar como efeito se o campo permanecer como está. A leitura não é previsão determinista. É um mapa de probabilidades baseado nas causas que estão ativas no campo agora.
A carta que carrega esse princípio é o Julgamento. Ele não representa punição. Representa a lei de causa e efeito chegando ao seu ponto de revelação. O que foi semeado ao longo de um ciclo inteiro emerge agora de forma irrevogável. As figuras que saem dos caixões estão respondendo ao chamado das causas que elas próprias colocaram em movimento.
Por que isso tudo importa?
Quando você lê o Tarot sem esse substrato filosófico, você está lendo símbolos. Quando você lê com ele, você está lendo leis.
E leis são consistentes. Elas funcionam da mesma forma em contextos diferentes. Quando você entende que o 5 de Paus é o Princípio da Polaridade em estado de tensão não resolvida, ou que o Mundo é o Princípio de Causa e Efeito chegando à sua expressão mais completa, você deixa de precisar memorizar significados e começa a compreender o que as cartas estão descrevendo sobre a natureza da situação.
É uma diferença grande essa. Memorizar versus compreender. E é exatamente essa diferença que separa quem lê cartas de quem lê campos.
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Espero que essa reflexão inspire você a transformar sua prática mágica e espiritual. Não importa o objetivo — seja desenvolver mediunidade, atrair prosperidade ou encontrar o amor —, um plano bem estruturado pode fazer toda a diferença.
Que sua jornada seja repleta de evolução e realizações.
O Neófito

