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A fonte da magia
Reconhecendo a força do Sol interior
Olá, querido(a) Neófito, tudo bem com você?
Hoje eu quero falar sobre algo que demorei um tempo pra entender de verdade.
Durante muito tempo eu tratava a magia como algo que vinha de fora. Das ervas certas, das velas certas, dos dias certos, das entidades certas, como se a eficácia de um trabalho dependesse principalmente dos elementos externos que eu usava e da precisão com que seguia as instruções.
E tem uma parte disso que é verdadeira, os elementos importam, a correspondência simbólica importa, a coerência do rito importa.
Mas existe uma camada anterior a tudo isso que é o que realmente determina se um trabalho vai funcionar ou não, e essa camada não está na mesa do ritual. Está dentro de você.
A origem interna
Existe um centro energético no corpo humano que as tradições orientais chamam de manipura, o terceiro chakra, localizado na região do plexo solar, mas você não precisa conhecer a nomenclatura sânscrita pra entender o que ele representa.
O plexo solar é o sol interior.
É o centro de onde emana a vontade, o poder pessoal, a força que move as coisas do plano interno pro plano externo, e quando você sente aquela certeza visceral de que algo vai acontecer, aquela convicção que não passa pela cabeça mas que você sente no ventre, isso é o plexo solar operando em plena potência.
Paracelso, quando falava sobre a força que movia qualquer operação mágica, não estava falando de ingredientes externos, estava falando do que ele chamava de vis vitalis, a força vital que emana do operador, e ele era muito claro que o alquimista ou o mago que não tivesse essa força interna desenvolvida produziria resultados medíocres independente de quantos ingredientes corretos usasse.
O ingrediente mais importante de qualquer trabalho está dentro de quem está fazendo o trabalho.
O Sol e o Tarot
No Tarot o arcano XIX, o Sol, é a carta da clareza, da vitalidade, da expressão plena de si mesmo sem filtro e sem medo, a criança montada no cavalo branco, nua, com os braços abertos e uma coroa de flores na cabeça, não está protegida por armadura nenhuma e está exposta, vulnerável no sentido mais bonito da palavra, e exatamente por isso está radiante.
Essa é a imagem do plexo solar em plena operação, quando o sol interior está ativo, quando a vontade está clara e o poder pessoal está fluindo sem obstrução, você não precisa de armadura porque está irradiando uma qualidade que o campo ao redor reconhece e responde.
O sol interior não é arrogância e não é força bruta, é a presença de quem sabe o que quer e não pede permissão pra querer.
Na alquimia o Sol representa o enxofre filosófico, o princípio ativo que inicia qualquer processo de transformação, e sem enxofre, sem calor, sem o fogo do operador, a obra não começa, os elementos ficam inertes na mesa do ritual esperando por uma força que nunca chegou.
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A coroa e o governador
O segundo centro que quero trazer pra essa conversa é o que as tradições chamam de coroa, o topo da cabeça, o ponto de conexão entre o individual e o universal.
Se o plexo solar é onde a vontade emana, a coroa é onde a intenção é formulada, é a mente no seu aspecto mais elevado, não a mente analítica e julgadora do cotidiano, mas a mente que consegue sustentar uma visão com clareza suficiente para que ela se torne campo de atração do que foi desejado.
A Cabala hermética, que influenciou diretamente a tradição mágica ocidental, coloca Kether, a coroa, no topo da Árvore da Vida como a primeira emanação do divino, o ponto mais próximo da fonte antes de qualquer manifestação, e é o princípio que governa a qualidade da intenção antes que ela desça pelos outros centros e se torne ação concreta no plano material.
No Tarot essa energia vive na Sacerdotisa, que guarda o véu entre o que é formulado na mente mais elevada e o que pode ser transmitido ao mundo, e no Mago, que usa a coroa como canal de recepção enquanto o braço aponta pra terra como direção de manifestação.
O Mago não cria do nada, ele recebe de cima e direciona pra baixo, e essa é a função da coroa na prática mágica, formular a intenção no nível mais claro possível antes que o plexo solar coloque a força necessária pra movê-la em direção à manifestação.
O papel da fé
Aqui está o ponto que mais confunde quem está começando a estudar magia com seriedade.
Fé não é crença ingênua de que vai funcionar porque você quer que funcione, fé no sentido operativo da magia é algo muito mais preciso, é a capacidade de sustentar a realidade do que você está construindo no plano interno com tanta clareza e tanta convicção que o campo externo começa a se reorganizar em torno disso.
O Kybalion descreve isso através do Princípio do Mentalismo, tudo que existe é uma manifestação da mente universal, e o que você sustenta como real no plano mental com suficiente força e consistência começa a criar as condições pra sua manifestação no plano físico.
Isso não é aquele esquema de “acreditar com muita força”, é uma descrição de como o campo funciona quando o operador está alinhado o suficiente pra trabalhar com essa lei de forma consciente.
A fé que move a magia de verdade é a fé que mora no plexo solar e não na cabeça, você pode saber intelectualmente que algo é possível e ainda assim não conseguir fazê-lo acontecer porque o centro de onde a força emana ainda está em dúvida, e a fé operativa é visceral antes de ser racional.
É por isso que trabalhar o sol interior, limpar o plexo solar de crenças limitantes e de drenagens energéticas, é o pré-requisito mais importante de qualquer prática mágica séria.
O coração e a direção
Entre a coroa que formula e o plexo solar que move existe um terceiro centro que determina a qualidade do que é manifestado, o coração.
O coração é o direcionador, é onde o que foi formulado pela mente encontra o que foi energizado pela vontade e recebe uma qualidade emocional, uma ressonância, um calor que transforma intenção fria em desejo vivo.
Magia feita a partir do coração tem uma textura diferente de magia feita apenas pela mente ou apenas pela vontade, ela ressoa porque carrega uma frequência que o campo reconhece como verdadeira, como algo que vem de um lugar genuíno e não apenas de um desejo superficial do ego.
Quando você direciona o coração pro que mais quer, quando você permite que o desejo seja real o suficiente pra ser sentido no peito e não apenas pensado na cabeça, você está ativando o centro que conecta os outros dois e que dá à operação mágica sua qualidade mais poderosa.
Na alquimia o coração corresponde ao mercúrio filosófico, o princípio mediador que conecta o enxofre ativo do plexo solar com o sal fixo da manifestação concreta, e sem mercúrio, sem o coração como mediador, enxofre e sal não se comunicam e a obra não se completa.
E na prática?
Quando você monta um rito com todos esses centros ativos e alinhados, algo diferente acontece.
O ritual externo, os elementos, as ervas, as velas, as palavras, tudo isso amplifíca e direciona o que já está se movendo por dentro, ele não substitui a força interna, ele serve de antena, de amplificador, de estrutura simbólica que organiza no plano físico o que você já está sustentando com clareza no plano interno.
É por isso que dois praticantes podem fazer o mesmo rito com os mesmos elementos e obter resultados completamente diferentes, não porque um seguiu as instruções melhor do que o outro, mas porque o campo interno de um estava mais alinhado, o sol interior estava mais ativo, a fé estava mais enraizada no plexo solar do que na cabeça.
A mão boa de magia que você desenvolve ao longo dos anos não é sobre acumular mais conhecimento sobre mais sistemas, é sobre aprofundar o alinhamento entre coroa, coração e plexo solar até que quando você formula uma intenção, a força que emana do seu campo seja suficiente pra mover o que precisa ser movido.
E isso é algo que nenhum livro, nenhum curso, nenhuma tradição pode te dar diretamente, pode apontar o caminho, mas o sol interior só pode ser aceso de dentro.
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Espero que essa reflexão inspire você a transformar sua prática mágica e espiritual. Não importa o objetivo — seja desenvolver mediunidade, atrair prosperidade ou encontrar o amor —, um plano bem estruturado pode fazer toda a diferença.
Que sua jornada seja repleta de evolução e realizações.
O Neófito

