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A ciencia oculta
O hermetismo e a simbologia das cartas
Olá, querido(a) Neófito, tudo bem com você?
Existe um erro que a maioria dos estudantes de Tarot comete logo no início.
Trata as cartas como sistema isolado. Aprende significados. Decora símbolos. Pratica tiragens.
Mas nunca pergunta: de onde esse sistema veio? Em que fundamento filosófico ele se apoia?
A resposta está na história.
O Tarot como sistema simbólico organizado surgiu na Europa do século XV. Mas foi no século XVIII que ocultistas franceses, especialmente Antoine Court de Gébelin e depois Etteilla, estabeleceram a conexão formal entre Tarot e tradição hermética.
Court de Gébelin publicou em 1781 uma análise do Tarot no seu "Monde Primitif", argumentando que as cartas preservavam sabedoria egípcia antiga codificada em imagens. Estava errado quanto à origem egípcia. Mas estava certo quanto a uma coisa: as cartas carregavam estrutura filosófica profunda.
Eliphas Lévi, no século XIX, foi mais longe. No seu "Dogma e Ritual da Alta Magia" (1854), conectou formalmente os 22 Arcanos Maiores às 22 letras do alfabeto hebraico e aos princípios da Cabala. A partir daí, o Tarot passou a ser estudado dentro do sistema hermético de forma sistemática.
A Ordem Hermética da Golden Dawn, no final do século XIX, consolidou esse trabalho. Arthur Edward Waite, membro da Golden Dawn, criou em 1909 o baralho Rider-Waite, que é até hoje o mais usado no mundo e foi desenhado com simbolismo hermético deliberado em cada carta.
Ou seja: o Tarot que você usa hoje foi construído intencionalmente sobre princípios herméticos.
E o mais central desses princípios é a alquimia.
Não a alquimia de filmes e fantasia. A alquimia hermética real: ciência da transformação da consciência através de processos simbólicos, documentada em textos como o "Corpus Hermeticum" e a "Tábua de Esmeralda".
Quando você entende alquimia, você lê Tarot em outro nível.
O princípio fundamental
A frase mais conhecida do hermetismo vem da Tábua de Esmeralda:
"Como acima, assim abaixo. Como abaixo, assim acima."
Tradução direta: o que acontece no plano interno reflete no plano externo. E o que acontece externamente reflete o estado interno.
Isso explica por que o Tarot funciona.
Você não está "lendo o futuro". Você está lendo correspondências.
O estado da sua consciência agora corresponde a padrões simbólicos específicos. Esses padrões se refletem nas cartas. As cartas refletem de volta o estado da consciência.
É espelho. Não profecia.
E alquimia é exatamente isso: ciência de transformar estados internos para que o externo mude como consequência.
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Os quatro elementos e os quatro naipes
A alquimia trabalha com quatro elementos primordiais.
Cada elemento descreve um estado da matéria e, simbolicamente, um estado da consciência.
O Tarot espelhou essa estrutura diretamente nos quatro naipes.
Fogo = Paus
Fogo é expansão, vontade, impulso criativo.
No processo alquímico, fogo é o agente da transformação. Nada muda sem calor.
Paus são exatamente isso: vontade em ação. Projetos, iniciativas, energia vital.
Quando Paus dominam uma tiragem, o processo está em fase ígnea. Quente. Em movimento. Transformando.
Água = Copas
Água é receptividade, emoção, fluxo.
Na alquimia, água dissolve. Ela desfaz estruturas rígidas para que nova forma seja possível.
Copas são sentimentos que dissolvem fronteiras. Amor que desfaz ego. Intuição que flui sem controle.
Quando Copas dominam, o processo está em fase aquosa. Dissolvendo. Sentindo. Integrando.
Ar = Espadas
Ar é pensamento, separação, discernimento.
Na alquimia, ar separa elementos. Ele corta, filtra, distingue.
Espadas são exatamente essa capacidade: separar verdade de mentira, clareza de confusão.
Quando Espadas dominam, o processo está em fase aérea. Analisando. Decidindo. Cortando o que não serve.
Terra = Ouros
Terra é solidificação, forma, manifestação concreta.
Na alquimia, terra é o resultado final. É onde a transformação se torna tangível.
Ouros são o mundo material: dinheiro, corpo, trabalho, estrutura.
Quando Ouros dominam, o processo chegou à fase terrestre. Concreto. Mensurável. Real.
Os três processos alquímicos
A alquimia descreve três processos fundamentais de transformação.
Cada um aparece claramente nos Arcanos Maiores.
Nigredo: O enegrecimento
Nigredo é o primeiro estágio. É decomposição, morte simbólica, dissolução do que existia antes.
É doloroso. É escuro. É necessário.
No Tarot: A Torre, A Morte, O Diabo.
Quando essas cartas aparecem, o processo está em Nigredo.
Algo está morrendo. Alguma estrutura está colapsando. Algum apego está sendo arrancado.
A maioria das pessoas teme essas cartas. Mas alquimistas sabem: sem Nigredo, não há transmutação.
Não existe ouro sem primeiro dissolver o chumbo.
Albedo: O embranquecimento
Albedo é o segundo estágio. É purificação, clareza, separação do essencial e do supérfluo.
Depois da decomposição do Nigredo, o que sobrou precisa ser purificado.
No Tarot: A Lua, A Estrela, A Temperança.
Quando essas cartas aparecem, o processo está em Albedo.
A consciência está se clarificando. Ilusões estão caindo. Verdade mais limpa está emergindo.
A Lua mostra o processo de confrontar ilusões. A Estrela mostra pureza depois da tempestade. A Temperança mostra o equilíbrio alquímico de dois elementos sendo integrados.
Rubedo: O avermelhamento
Rubedo é o estágio final. É integração, realização, o resultado da transmutação completa.
É aqui que chumbo virou ouro. Que consciência fragmentada virou consciência integrada.
No Tarot: O Sol, O Mundo, O Julgamento.
Quando essas cartas aparecem, o processo está em Rubedo.
Algo foi completado. Uma jornada chegou ao fim. Uma integração aconteceu.
O Julgamento é o chamado para a integração final. O Sol é a consciência que brilha sem obstáculo. O Mundo é a totalidade alcançada.
O Simples é a Solução…
Imagine que você está tentando abrir uma porta trancada com toda a força. Quanto mais você empurra, mais parece que a porta resiste, certo? Agora, o que aconteceria se você simplesmente parasse, respirasse fundo e tentasse girar a chave suavemente? Talvez a solução estivesse ali o tempo todo, esperando que você mudasse sua abordagem.
Essa é a lição do Enforcado: em momentos de impasse, a paciência e a mudança de perspectiva são as verdadeiras chaves.
Mercúrio, Enxofre e Sal
A alquimia trabalha com três princípios que compõem toda matéria.
Esses princípios aparecem diretamente nas figuras centrais dos Arcanos Maiores.
Mercúrio é o princípio da comunicação, mediação e fluidez. É o que conecta opostos.
No Tarot: O Mago.
O Mago usa as quatro ferramentas da mesa (cálice, espada, bastão, pentáculo) para manifestar no plano material. Ele é o mediador entre alto e baixo. É Mercúrio em ação: conectando mundos, usando linguagem, criando pontes.
Enxofre é o princípio da vontade ativa, do impulso solar, do eu individual.
No Tarot: O Imperador, O Sol.
O Imperador é a vontade estruturada. A força que organiza o caos em forma. O Sol é a expressão máxima do princípio solar: consciência pura, brilhante, sem sombra.
Sal é o princípio da crystallização, do corpo, da forma concreta que preserva.
No Tarot: A Imperatriz, O Mundo.
A Imperatriz é a natureza que gera forma. O corpo que nutre vida. O Mundo é a manifestação completa: o Sal em perfeição, o espírito totalmente incarnado na matéria.
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Como usar isso na prática
Conhecer esses princípios muda como você lê.
Quando você vê cartas de Nigredo numa tiragem (Torre, Morte, Diabo), você para de entrar em pânico.
Você reconhece: isso é fase de decomposição. Algo precisa morrer. O processo está funcionando.
Quando você vê cartas de Albedo (Lua, Estrela, Temperança), você sabe: o pior passou. Agora vem purificação e clareza.
Quando você vê cartas de Rubedo (Sol, Mundo, Julgamento), você reconhece: integração completa. Ciclo encerrado.
E quando os elementos dominam a tiragem, você lê o processo, não só o conteúdo:
Muitos Paus: fase ígnea, tudo está em transformação acelerada.
Muitas Copas: fase aquosa, algo está se dissolvendo emocionalmente.
Muitas Espadas: fase aérea, separação e discernimento são necessários agora.
Muitos Ouros: fase terrestre, o resultado está se solidificando.
A mensagem final
Tarot não é sistema de previsão. É mapa de transformação de consciência. Os mesmos princípios que guiavam alquimistas medievais guiam leituras de Tarot hoje.
Nigredo, Albedo, Rubedo não são conceitos abstratos. São fases reais pelas quais você passa em qualquer processo de mudança profunda.
Os quatro elementos não são poesia. São categorias funcionais que descrevem como energia se move na vida.
Quando você lê Tarot através desse filtro hermético, para de perguntar "o que vai acontecer". E começa a perguntar "em que fase do processo estou, e o que esse processo exige de mim agora". Essa pergunta gera respostas muito mais úteis.
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Conteúdos úteis para você continuar sua jornada:
Espero que essa reflexão inspire você a transformar sua prática mágica e espiritual. Não importa o objetivo — seja desenvolver mediunidade, atrair prosperidade ou encontrar o amor —, um plano bem estruturado pode fazer toda a diferença.
Que sua jornada seja repleta de evolução e realizações.
O Neófito
